quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

O SOLITÁRIO E A GAIVOTA

Pés descalços
Marcando a areia
Um passo após outro
Ao entardecer
Na solidão do crepúsculo
Olhos no firmamento
E os lábios a sorrir
Ah! Doce momento...

Nesses passos marcados
Contados
Falta uma parte do ser
Companhia e alegria
Falta contar a vida
E encontrar as ausências

Com as mãos conversa
Com os pássaros gigantes
Na praia, ao entardecer
E o sol se espreguiça
Está a se esconder
Tempo de descanso
Hora de amar

Início da noite
Estrelas cantam, enamoram-se
Em doces murmúrios,
Os vagalumes a mostrar-lhe
O caminho de volta
E os passos voltam
A marcar a areia...

Os pássaros se vão
Fica a quietude
A solidão
Ao longe, uma gaivota
Última companhia que
Atrasada, chora
Falta de sorte...

Com os pés descalços
Caminha em direção a gaivota
Segue seu choro, sua angústia
A acalenta, acaricia
Acolhe o nobre pássaro em seus braços
E o acalma.

A falta de luz revela
O dia acabou
É preciso liberar pensamentos
Fazer a mente viajar...

E volta para casa
A gaivota a dormir em seus braços
A murmurar doces gorjeios
Rompendo o silêncio
Do aconchego do novo lar
“Home sweet home...”
A suspirar os doces lábios

E o calor da casa
Chega e confina
Proteção da brisa sombria
E o frio da noite
A lareira acesa, aquece
Já não existem pegadas
A maciez dos tapetes
Que escondem as marcas
Não permitem pegadas

E na lareira, o calor
Os bibelôs o observam
Parecem indagar quem é o parceiro
O novo amigo a aconchegar
Nos braços do dono solitário

Ah! Pobre solitário
Sozinho na praia
Na casa da praia...

Ah! Pobre gaivota
A acompanhá-lo sem pestanejar
Um aquecendo o outro
E o mar bravio lá fora
Surrando as rochas
Mergulhando na areia
“Oh, mar! Que zanga tens tu?”
Talvez o ciúme corroa esse gigante
Que perde seu amigo solitário
Para uma pequena gaivota...

Comida e bebida
É hora de se alimentar
Não há mais um boca
Há duas,
Diferentes, mas bocas
E famintas
Com estômagos vazios
E...

Noites de sono
Tetos estrelados
E a lua a sorrir
Na hora de se deitar
E quando o sono não chega
A inquietude parece intrometer-se
As estrelas parecem chamar
Numa viagem alucinante
Dos olhos, das mãos, imaginação
Mesmo a cama macia
Sem caminho e sem solução
Os olhos arregalados
Na solidão da noite...

Madrugada chega
A manhã se entrepõe
O sol a despertar
Solitário que não adormeceu

Ah! Doce e solitária manhã
Que o chama de uma noite sem sono
E o café da manhã, sozinho
A gaivota já não está
Foi-se com as estrelas
Abandonou a companhia, o carinho
Ingratidão...

Mas a nobre ave volta
Ao entardecer
Com uma alegria latente
Para os braços desse amigo
Que tanto lhe fez bem

Agora a gaivota vem todas as noites
Para acalentar e consolar
O solitário da praia
Que vive sem alegria e sem companhia
Dias e noites a contemplar o mar
Sozinho e à espera
De uma sereia, de seu amor...

Um comentário:

  1. Que lindo, Rosi! Gostei muito, muito mesmo. Parabéns poeta!

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